A Fêmea Reprodutora

 
 

 
 

 
 

 
 

Uma YORKSHIRE está em idade apropriada para o acasalamento a partir do terceiro CIO, sendo certo que num CIO regular isso vai ocorrer depois dos 18 meses de idade.

Na verdade,  a fêmea costuma ter seu primeiro CIO entre o oitavo e o décimo segundo mês, mas isso é variável.

E a assim, se o proprietário de uma YORK, sendo criador ou não, decidir por cruzá-la, deve ter certos cuidados para que tudo transcorra a contento, não só para a futura mamãe, como também para os bebezinhos, por isso vamos sintetizar alguns tópicos que devem ser observados:

a) A fêmea não deve estar nem muito gorda, nem muito magra. O peso ideal seria de 2,5 Kg a 3 Kg. Se a fêmea acasalada for muito pequena, pode ocorrer a necessidade de uma operação cesariana, com todos os riscos inerentes a uma cirurgia.

b) Antes de se acasalar a YORK deve-se verificar se as vacinas V8 e a da raiva estão em dia.

c) A futura mamãe deve estar limpa por dentro e por fora. Isto significa estar livre de vermes e de qualquer irritação de pele.

Tudo estando em ordem com a fêmea, as atenções se voltam ao PADREADOR. Para um bom acasalamento de YORKS, deve ser selecionado cuidadosamente a herança genética do macho, que não pode apresentar grau de parentesco com a fêmea. O acasalamento entre YORKSHIRES da mesma linhagem de sangue acaba gerando cães com alguns distúrbios de personalidade e de saúde mais frágil.

O padreador deve ter no máximo o mesmo tamanho da fêmea, mas em geral ele é sempre menor. Isso evita problemas no parto com filhotes que dificultem o parto normal.

Se o proprietário da fêmea, criador ou não, vai cruzá-la com um macho que não lhe pertence, é necessário pedir ao proprietário um exame conhecido como "SOROLOGIA PARA BRUCELOSE". Esse exame serve para detectar uma doença extremamente perigosa,não só para os animais, como também para o próprio ser humano e que é sexualmente transmissível pelo macho levando as fêmeas prenhas a abortarem.

Finalmente cabe salientar que para garantir filhotes saudáveis a cadela deve se alimentar muito bem e sendo assim, caso a ração não seja de boa qualidade, deve ser substituída pelo menos uns três meses antes da gestação para que ela adquira os nutrientes de forma balanceada e eficiente

 
     

     
 

CIO

 
 

O próximo passo é a espera do CIO, não se esquecendo que a fêmea está em idade apropriada para o acasalamento a partir do terceiro CIO. E em geral, com uma boa alimentação, cuidados adequados, ela serve como boa reprodutora até os oito anos de idade, aproximadamente.

Normalmente o CIO dura 21 dias dos quais o ideal é que o acasalamento ocorra entre o décimo e o décimo quinto dia a partir do primeiro dia do sangramento. Nesse período a fêmea é fértil, está ovulando.

Mas muitas cadelas entram no CIO sem apresentar os sinais característicos, é chamado o CIO silencioso ou CIO seco, em que não há sangramento, corrimento ou mesmo secreção. As vezes também o sangramento é muito escasso e ainda tendo-se em conta que normalmente a YORKSHIRE se mantém limpa, ficando difícil se detectar esse período, o que requer então seja submetida a um exame especifico chamado CITOLOGIA VAGINAL.

Tal exame serve para detectar exatamente o dia da ovulação e deve ser feito logo que a cadela entre no CIO. Com isso determina-se o dia certo para o acasalamento.

Mas esse período fértil pode ser constatado pelo proprietário com um simples toque acima da vúlva, feito com leve pressão. A cadela apresentará uma das seguintes reações:

a) Coloca a calda entre as pernas e procura sentar-se, demonstrando uma atitude agressiva. Nesse caso,  ela ainda não está pronta para o acasalamento.

b) Ela posiciona a calda para o lado, mostrando uma ascensão da vulva. Isso significa que ela está pronta para o acasalamento, podendo então ser apresentada para o macho.

Se o proprietário não tiver machinho para acasalar, a fêmea é levada até a casa dele.

Não se deve amordaçar ou acorrentar a cadela que se mostrar agressiva nessa ocasião. O correto é acalmá-la com carinho e paciência e o mesmo se aplica ao macho. Tal atitude contribui para o êxito do acasalamento, evitando traumatismos físicos para os animais.

A presença dos proprietários do macho e da fêmea nas proximidades, ajuda a acalmar os animais devendo-se ainda evitar aglomerações de curiosos. O início do coito pode tardar um pouco, em função do temperamento dos animais. Depois da parte mais ativa dele, haverá uma fixação do pênis na vagina, durante no mínimo por 10 minutos podendo se estender por até 40 minutos.

             

É nessa fase que ocorre a ejaculação, com a conseqüente fecundação. Naturalmente, portanto os cães não devem ser importunados enquanto estiverem atados. Qualquer tentativa em separá-los poderia causar acidentes graves.

Depois que eles se afastarem espontânea e naturalmente, os proprietários devem colocá-los em canis separados para evitar esgotamento físico.

E um segundo acasalamento deverá ocorrer nos próximos 2 dias.

Finalmente, torna-se necessário deixar consignado que uma cadela pode ser acasalada a cada dois CIOs, ou seja, CIO sim, CIO não.

Se o proprietário permitir acasalamentos e gestações consecutivas, as crias provavelmente serão fracas, podendo sucumbir em pouco tempo. E a cadela não se recuperará perfeitamente para uma próxima gestação.

 
     
     
 

Prenhez

 
 

A gestação se inicia logo após a fecundação ocorrida no acasalamento e pode durar em média 63 dias, podendo adiantar ou mesmo atrasar alguns dias. A gravidez do YORK poderá ser detectada no 30º dia. Em geral nesse prazo o veterinário ou o criador experiente consegue diagnosticar apalpando o abdômen da cadelinha, sendo possível observar a existência de sacos amnióticos que envolvem os fetos como pequenas esferas rígidas. Mas tal diagnostico fica difícil de ser analisado em cadelas grandes, gordas e nervosas. A partir dessa data, constatando-se a gravidez  a alimentação dela deve ser aumentada.

Cerca de duas semana antes da data prevista para o parto a cadela deverá ser induzida a passar a dormir na caixa que ela usará por ocasião do parto.

 
     

 

Parto

 
     
 

Assim já acostumada com a caixa, a YORK se dirigira para ela quando o trabalho do parto começar, e caso isso não ocorra deve o proprietário conduzi-la se observar algum dos sinais:

a) Falta de apetite;

b) Queda da temperatura do corpo de 38,5ºC para 37,5ºC ou mesmo 37ºC;
 

 
 

c) Presença de liquido onde a cadela se deita;

d) membros posteriores molhados;

e) Comportamento irrequieto;

f) Movimento de escavação com as pastas;
 

 
 

g) Tendência a se esconder em lugares insólitos, como armários ou mesmo sob camas;

h) Respiração ofegante;

Desse modo tão logo o proprietário perceba tais sinais deverá providenciar, toalhinhas para secar os bebezinhos, tesoura pra cortar o cordão umbilical, iodo e um relógio para controlar o espaço de tempo entre os nascimentos, bem como duas luvas cirúrgicas para afastar risco de infecção.

 
     
     
 

Nascimento

 
 

Como já mencionamos a gravidez de uma cadelinha dura em média 63 dias, podendo o parto adiantar ou mesmo atrasar alguns dias.

Extremamente importante é se marcar para controle pessoal, a data do cruzamento e isso porque pode-se calcular com razoável precisão o dia do parto.

Dias antes da data prevista para o parto, deve-se cortar o pelo em volta das mamas da YORK, para que os bebezinhos encontrem as tetas com maior facilidade. da mesma forma, para evitar que ela se suje muito durante o parto, costumamos aparar, com cuidado, os pêlos em volta da vulva.

Se o parto não ocorrer até o dia seguinte a data prevista, é necessário levá-la ou chamar o veterinário. Também é de se observar quando ocorrem vários acasalamentos convém esperar a data marcada a partir do último.

 

      
 

Quando o parto se aproxima a fêmea demonstra desconforto, não acha posição para se deitar e dormir. Costuma respirar de forma acelerada, como se estivesse com dor; lambe e olha para a vulva, recusa comida e procura seu "ninho". Na verdade a cadela se mostra desassossegada.

As contrações podem ser observadas nos músculos das costas num movimento descendente.

Durante as contrações a cadela descansa para armazenar forças.

O primeiro filhote poderá nascer poucos minutos após o início das dores, mas algumas vezes passa uma hora ou mais. Se apesar das dores fortes, não tiver nascido nenhum filhote após 3 horas do inicio das dores, o veterinário imediatamente deve ser procurado. Da mesma forma se procede se as dores cessarem repentinamente sem que os filhotes tenham nascido.

O comportamento da mãe nesse estágio deve ser criteriosamente observado e isso porque qualquer sinal de apatia, falta de contrações uterinas ou contrações sem a saída do feto indica problemas e o veterinário deve ser procurado imediatamente.

Em geral a cadela controlará todo processo de dar a luz cabendo nesse caso, o proprietário criador ou não, acompanhar todo esse procedimento, fazendo um cuidadoso registro do que se passa, ou seja da chegada de cada filhote e sua respectiva placenta, ou mesmo eventual problema que possa surgir.

As contrações curtas "acomodam" os fetos e colocam o primeiro na pélvis. Com isso as membranas fetais vão para a cérvix estimulando-a a achar uma posição confortável, mexendo-se sem descanso em sua cama. Quando o primeiro filhote entra na pélvis as contrações ficam mais fortes, longas e constantes. Muitas vezes a cadela estica as pernas durante as ondas mais fortes de contração e as vezes esvazia a bexiga.

Finalmente o saco de água (saco amniótico) é expulso. Algumas vezes o primeiro filhote pode ser empurrado através da membrana do saco antes de aparecer e observa-se um pequeno jorro de liquido. A cadela rompe o saco, se ele tiver aparecido e puxa com os dente qualquer membrana visível. Essas membranas dão ao canal de parto uma cobertura escorregadia, que facilita a passagem.

 

          

          

 

Nesta fase a cadela em geral fica deitada virando-se muitas vezes para limpar-se. A cada virada ocorre uma vigorosa contração.
 

No primeiro parto em geral,  o primeiro filhote nasce 3 a 4 horas após o inicio dos trabalhos. Logo que ele nasce a cadela limpa-o vigorosamente, lambendo-o todo, remove as membranas (que costuma comer) e rompe o cordão umbilical. O filhote incentivado pelas atividades de limpeza e pelo ar em suas narinas não tarda a procurar uma teta e começar a sugá-la. A placenta do filhote pode sair com ele ou até 15 minutos depois. Quando há vários filhotes, um pode trazer as placentas anteriores.
 

Portanto a placenta pode ou não se soltar nessa hora, mas o filhote nunca pode ser puxado porque isso poderá lhe causar uma hérnia. Nesse caso espera-se ela se soltar.
 

O segundo filhote pode nascer a qualquer momento em um período de até uma hora. Ultrapassando esse lapso temporal, percebendo-se que ainda tem filhote a nascer e isso não ocorrendo, o veterinário deve ser procurado imediatamente. A cadela pode até descansar entre um nascimento e outro.  Água fresca deve ser sempre oferecida a ela.
 

O parto costuma durar menos quando não é o primeiro dela; o processo de expulsão costuma ser mais rápido e fácil, com intervalos mais curtos.
 

Quanto a expulsão das membranas placentárias, pode-se ressaltar que em geral as mesmas são expelidas uns 15 minutos após cada nascimento, podendo sair junto com o filhote seguinte.
 

Com freqüência a fêmea procura comer as placentas. Isto não lhe fará mal; mas pode leva-la a mais tarde vomita-las ou mesmo lhe causar uma diarréia de cor esverdeada.

 

Existem criadores que deixam a cadela comer as placentas alegando que a
mesma é rica em nutrientes.
 

O importante mesmo é assegurar-se que o número de filhotes é igual ao de placentas expelidas, e se isso não ocorrer é porque houve retenção, havendo necessidade da comunicação imediata ao veterinário visando-se afastar o risco de uma séria infecção uterina.
 

O tempo total do nascimento depende do número de filhotes, mas raramente ultrapassa a 6 horas.
 

Alguns problemas podem surgir durante o parto aos quais a partir de então vamos nos deter. Como já abordamos anteriormente, após algumas contrações o saco (semelhante a uma bolha) é expelido do corpo da fêmea, que o rompe libertando o filho.
 

No entanto se as contrações não aumentam o volume do saco, ele retorna ao interior do corpo, quando a cadela inspira o ar. Isso acontecendo deve-se examinar atentamente a cadela durante a contração seguinte e isso porque pode-se perceber surgir uma pata diminuta, o que significa que o filhote está nascendo na posição incorreta. Nesse caso com um pedacinho de pano macio e limpo deve-se segurar a patinha do filhote para que quando a cadela inspirar o filhote não retrocedera novamente ao interior do corpo dela. Na próxima contração com todo o cuidado é necessário que se dê um pequeno puxão. Tudo deve ser feito para que ele não escape, pois se voltar ao interior do corpo da mãe apenas a habilidade do veterinário cirurgião poderá salvar o filhote.

 

 

Mas o fato do primeiro filhote nascer em posição incorreta não significa que os demais deverão necessariamente nascer também nessa posição.
 

Outra situação séria que pode ocorrer é no tocante ao filhote ficar entalado no meio do caminho.
 

Nesse caso se a fêmea não conseguir expeli-lo totalmente deve-se pegar um pedaço de pano com o qual se segura o filhote e com absoluto cuidado o mesmo deve ser puxado para fora. No entanto, é de grande importância que a ação de puxar coincida com a contração da cadela.
 

Também devemos ponderar sobre o saco que envolve o filhote. Ele pode romper-se durante os trabalhos, mas em geral ele é expelido intacto, quando então a cadela o abre com os dentes. O rompimento da membrana deve ser imediato porque do contrario o filhote poderá sufocar-se. Desse modo, se a cadela não conseguir rompê-lo, a pessoa que a assiste deve fazê-lo imediatamente e isso porque o filhote precisa ser libertado prontamente para se evitar que venha se afogar no líquido.

No momento em que o filhote for solto, a cadela começará a limpa-lo, de uma forma até rude, lambendo-o e rolando-o de um lado para o outro, fazendo com que ele chore e comece a respirar.

Na seqüência começará a morder o cordão umbilical, cuja as extremidades estão presas, uma ao meio do abdômen do filhote e outra às secundinas ou páreas.

O corte do cordão umbilical é uma operação a ser levada a cabo pela própria cadela. Esse cordão é composto por diversos e minúsculos vasos sanguíneos que requerem o tipo de tratamento que somente ela é capaz de dar.

Se ele for cortado simplesmente logo após o nascimento com uma tesoura, pode acarretar uma hemorragia.

Mas se a cadela não efetuar dito corte cabe também a pessoa que a acompanha se incumbir de tal tarefa, a qual pode ser realizada por dois modos: segura-se o cordão bem perto  do corpo do filhote cortando-se o mesmo com os dedos e unhas, ou então minutos após o nascimento amarra-se o cordão com um barbante e em seguida corta-se o mesmo com uma tesoura esterilizada. Nesse caso haverá pouco sangramento.

Compete ainda observar que se a cadela se apresentar exausta é incapaz de limpar o filhote e este parecer sem vida em razão de um parto prolongado segure-o entre as mãos, rolando-o entre elas. Este movimento equivale ao das lambidas da mãe e logo mais se ouvirá um guincho, demonstrando que o filhote está vivo.

Pode acontecer do liquido ter entrado na boca do cãozinho e para evitar que desça aos pulmões, vire-o de cabeça para baixo para que o líquido seja expelido.

Finalmente cabe ressaltar que a pessoa que acompanha a cadela deve proceder a uma apalpação abdominal, no fim aparente do parto, para constatar se ainda existe algum filhote no ventre. Quando a verificação não é conclusiva, convêm procurar o veterinário para confirmar ou não o término do parto.

Teceremos ao final desta página algumas observações:

1- Damos a nossas cadelas durante o parto, nos intervalos entre os nascimentos dos filhotes leite morno, bem como no período em que ela amamenta sua cria, só cessando de oferecer-lhe após o período de desmame .

2- Há necessidade também de se oferecer a ela água fresca. O líquido contribuirá na produção do leite que deve ser suficiente para amamentar todos os filhotes.

3- Deve ser adicionada mais uma refeição a sua dieta habitual.

4- Costumamos prender os pequenos tufos de pêlos de nossas fêmeas logo após o parto, para não se colocar em risco os filhotes, que podem se enforcar nos pelos longos de sua mãe.

          

5- Após o parto, as fezes da cadela se apresentaram desmanchadas.

6- Também após o parto ela apresenta uma secreção vermelho-escura, sendo que a medida que o tempo passa, essa secreção se mostra mais clara até desaparecer. Por tal razão costumamos banhar apenas a parte traseira,  mais precisamente a região da vulva das nossas fêmeas, diariamente com água morna, secando-a, uma vez que voltando ao ninho não pode se apresentar molhada.

7- É comum que a cadela vomite seus alimentos pelo instinto natural  de alimentar seus filhos com comida pré-digerida, por não serem eles capazes de mastigar.